A resposta é simples: Sim. Mas a pergunta que devemos responder é: Deve-se de fato dizer qualquer coisa na internet?

Para esse questionamento a resposta é um pouco mais complexa.

A internet é tida para muitos como um espaço sem lei, onde cada qual é livre para se expressar da forma que deseja, seja uma verdade ou não, sem culpa ou consequências. Onde reclamar e criticar terceiros é quase uma obrigação e não se manifestar sobre um assunto qualquer, por mais irrelevante que seja, é estar over. Estou certo que você que está lendo não faz isso, mas provavelmente algum “amigo do Face” faz, assim, vamos falar de nossos “amigos”.

Basta que uma fila esteja grande ou aconteça qualquer pequeno desconforto para nosso “amigo” começar a falar mal de uma marca nas redes sociais, por seu smartphone, ali mesmo, durante a espera. Mas no momento em que é bem-atendido e percebe que o atraso não foi proposital, já é tarde, a reclamação já se espalhou e, é claro, nosso “amigo” não vai admitir que se precipitou no comentário.

Esse problema torna-se maior quando os comentários são pessoais, sejam irrelevâncias sobre roupas e fotos, ou fatos graves como a divulgação de alguma intimidade, pois, após postados, são virtualmente impossíveis de serem excluídos da rede. Também testemunhamos com tristezaa histórias de jovens com suas vidas digitalmente destruídas pelo cyberbulliyng, sem que haja a devida punição a seus fomentadores.

Atualmente, o mundo busca soluções para a propagação de informações falsas e pejorativas em meio digital, tanto por meio de empresas especializadas em checagem de veracidade de informações digitais, como com a criminalização de postagens e sua propagação. Desde 2016 o Facebook vem expandindo seus testes de filtros contra notícias falsas para além dos Estados Unidos, lançando o serviço também na Alemanha. Na mesma vertente, o Tribunal de Justiça de São Paulo incluiu os replicadores de conteúdo em uma sentença, fazendo com que cada um seja condenado junto com o criador de uma postagem ofensiva sobre uma profissional, recomendando inclusive que tal decisão venha a se tornar jurisprudência.

Como forma de construir uma visão mais crítica sobre esse problema social, podemos adotar uma versão moderna da milenar sabedoria de Sócrates e suas três peneiras:

A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer dizer é um fato ou você apenas ouviu falar ou leu em um título de post? Se for verdade, passe pela segunda peneira: a BONDADE. O que vai contar é uma coisa boa ou relevante? Uma informação pode não ser boa, como algum tipo de golpe virtual, mas é relevante. Se for verdade e uma coisa boa ou relevante, deverá passar ainda pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a sociedade?

Se sua informação passar pelas três peneiras, sem dúvida é relevante e deve ser propagada, caso contrário, não perca seu tempo, pois seu post será apenas mais uma fofoca ocupando timelines, sem adicionar nada de positivo a sua imagem ou presença digital.

Umehara Parente