Nunca foi tão fácil criar uma nova marca.

Com uma ideia na cabeça e algum dinheiro no bolso, pode-se, com certa facilidade, iniciar um novo negócio, principalmente, se for estruturado em meio digital. Hoje podemos contar com o aluguel de plataformas de e-commerce a um baixíssimo custo, serviços de criação de marcas, campanhas e peças diversas online, e fornecimento rápido e personalizado de praticamente todo tipo de produto que se deseje vender. Mas será que isso é suficiente para criar uma marca?

Desenvolver um negócio lucrativo, em meio físico ou digital, não é o mesmo que construir uma boa marca. Comercialmente, existem diversas motivações de compra que podem ser responsáveis por um bom retorno financeiro em um determinado espaço de tempo, como: a qualidade do produto, uma localização estratégica, a conveniência de um delivery ou simplesmente um bom atendimento. Contudo, uma empresa sem uma boa marca tende a se tornar apenas a fornecedora de um conjunto de operacionalidades reprodutíveis, sem diferenciais, personalidade ou valor percebidos, sendo provável que a partir de uma mudança de ponto, tipo de produto, ou mesmo com o simples surgimento de um concorrente, que seu resultado seja negativamente impactado, assim, um dos principais investimentos estratégicos a serem feitos no início de um negócio é a criação de uma boa marca e a formação de sua personalidade e conceito.

Personalidade é a resultante dos diversos elementos construtivos que a compõem e tem seus alicerces fincados nos aspectos verbais, visuais e relacionais. A identidade verbal estrutura toda a comunicação de marca, tendo início no nome e conceito, indo até as expressões e o tom de voz adotados. Já a identidade visual compõe seu espectro imagético, que vai desde a forma e cores de um logo, até a construção semiótica de composições e paletas de cores em todos os pontos de contato: canais digitais, lojas, peças gráficas, embalagens, entre outros. 

Para ilustrar a importância dos elementos visuais na construção de uma identidade de marca, basta lembrarmo-nos do elegante azul Tiffany, que torna suas embalagens objetos de desejo apenas pela presunção de seu conteúdo; o terroso marrom da UPS, que expressa a solidez e a confiabilidade de seus serviços; o inconfundível “M” do McDonalds, internacionalmente reconhecido; ou a maçã da Apple, ícone de uma das marcas mais valiosas e desejadas do mundo.

Inerente a seu universo, o conceito de marca deve buscar significar o cerne da experiência que a marca deseja construir. Podemos observar o quão assertivo são alguns conceitos adicionados as suas respectivas marcas: a Apple tem como conceito – Think differente – pense diferente, expressando não apenas sua disrupção com o comum, mas também conotando valor ao perfil de seu usuário; Coca-Cola – Open happineess – abra a felicidade, a expressiva satisfação da experiência de consumo de seus produtos; Nike – Just do it, apenas faça, uma brado de incentivo à determinação de um atleta; Oi – Simples assim – expressa a simplicidade inerente à própria composição da marca.

Construída a identidade, se faz necessária a manutenção de seus pilares por meio dos pontos de contato relacionais, ou seja, todos os ambientes onde haja conexão entre marca e as pessoas, seja em meio físico ou digital. Lojas, e-commerce, site, redes sociais e quaisquer canais com interação devem ser estruturados de forma a criar e manter relacionamentos de forma eficiente e integrada, onde a marca seja reconhecida como una e traga em si valores humanos correlatos como simpatia, seriedade ou bom humor.

Criar uma marca é mais que criar um negócio, é ir além de um ponto de venda ou produto, é ser visto, ouvido, percebido e desejado, é ser singular.

Umehara Parente